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Felipe S. RangelJune 11 O Dia a Dia de um BlogVISITEM MEU BLOG: http://felipenove.blog.terra.com.br/
Vida de Blogueiro não é fácil. O grande Bruno Medina relatou as dificuldades em levantar temas interessantes no seu blog pelo G1. Zeca Camargo é outro que também faz questão de deixar isso bem claro. Depois de consultar minha consciência cheguei a conclusão que um blogueiro é um ser viajante, que expõe suas emoções, opiniões e desamores sem se importar com o ridículo. Alguns, assim como eu, preocupam-se em desvendar enigmas que, na maioria das vezes, não existem. Criar assunto para um blog não é tarefa simples. O dono de um diário virtual atribui a si mesmo o dom e a obrigação de olhar o mundo e os fatos sob novos olhares. E qualquer assunto pode se tornar pertinente às lições do dia-a-dia. Há dias em que os textos possuem a leveza de um humorístico e há outros em que as palavras tornam-se pesadas e cansativas. Há textos que rimam e há textos que não seguem critério nenhum. Há textos que ensinam e há textos que não dizem absolutamente nada. Assim como as músicas em que não há qualquer pretensão. Já ouvi algumas em que o autor passava mais de três minutos dizendo que não ia falar sobre nada... É lógico que não passam de artifícios. Há uma grande pretensão em não ter pretensão nenhuma. Como diz Amarante, “Não te dizer o que penso já é pensar em dizer”. Quanto a mim, sou apaixonado pelas formas em que as palavras são apresentadas. Gosto da ambigüidade. Das entrelinhas. Do dito não dito. Da responsabilidade em que as palavras têm em expor toda sensibilidade. Por isso escrevo. Pra manifestar as minhas idéias e, principalmente, pra aprender com as palavras. Não leio muito. Mas leio o conteúdo necessário pra inserir um leque de novas palavras capaz de traduzir minhas emoções. Bom... A palavra é minha casa e esse é o meu novo ponto de encontro. É a oportunidade que tenho de colocar os assuntos em dia, fortalecer os laços de amizade e dividir opiniões. Sejam Bem-vindos... June 05 Difícil!!!Eu sempre soube que não seria fácil. Às vezes a condição de ter tomado a decisão correta não me conforta e não me isola do mal que me cerca. Por isso, sinto em minha carne a guerra insana de todos os dias, fruto daquela dualidade presa à rotina. Companheira inseparável da adversidade, amiga íntima da injustiça. Vivo um luto enorme na alma, que contradiz o alívio da consciência. Um cansaço dobrado que se justifica perante a inocência. Uma dúvida freqüente que não compactua com a decência. Algo que parece me levar à demência. Sinto frio quando estou com calor. Tenho tanto amor que parece até desamor. Desarmo o ataque pra não dar lugar à dor. Sou refém interino do meu furor. Sou socado à noite quando me deito e vigiado durante anos e dias inteiros. Não me cabe perguntar porquê. Só tenho idéia do que não fazer, quando o coração - enganoso como sempre - tem algo impróprio a me dizer. A única coisa que me motiva é continuar firme como quem acredita. Há algo ainda em mim que convida a dar um basta à vida fria. A voltar ao início de tudo e lutar contra a apostasia. Penso que é melhor não pensar. Por que sempre que penso sinto a carne, com alma e tudo, pesar. Tenho vontade de largar tudo e ir em direção ao mar. Ou desistir de mim, dos sonhos e desse lugar. É intrigante ver tanto gravidade nas palavras e tanta leveza no agir. Sigo ileso com o coração confuso sem saber aonde ir. Tanta confusão em mim chega ser um absurdo que não há como medir. Mas as coisas loucas assim: Foram criadas para as sábias confundir.
May 23 INTERPRETAÇÃO...
Nesses dias percebi como o ser humano prefere buscar algo nas entrelinhas a enxergar o fato como um todo. Devido à paixão pela música e pela curiosidade em entender o comportamento humano, tenho me tornado leitor assíduo de alguns blog’s. Em um deles o autor, que é músico de uma banda bastante conhecida, tentava explicar aos fãs alguns mal-entendidos sobre a notícia de recesso do grupo. A nota oficial publicada no site dizia que a banda tinha entrado em recesso por tempo indeterminado. Esta curta afirmação desencadeou a raiva e o protesto dos fãs que se sentiram injustiçados e abandonados, além de criar a impressão que a “nota” publicada era vazia e pouco explicativa. Quase que instantaneamente corria a notícia de que a banda havia acabado e que alguma briga, devido a ciúmes, poderia ter ocasionado o fim do grupo. A saída encontrada pelo músico foi citar os significados das palavras “recesso” e “indeterminado”. Segundo o autor, que citou as definições do dicionário Aurélio, “recesso” quer dizer “recesso” e “indeterminado” quer dizer “indeterminado”, nada mais e nada menos. O problema é a interpretação imediata quando lemos algo de forma tendenciosa. “Tempo Indeterminado” está relacionado a um prazo desconhecido, que pode durar muitos anos ou apenas alguns dias, enquanto “recesso” faz apenas alusão a uma boa folga depois de um período de trabalho árduo. Quem nunca leu e releu uma simples frase de “boa noite, estou com saudades” a fim de tentar desvendar os “motivos” reais da mensagem, sendo que “boa noite” é “boa noite” e “estou com saudades” é apenas “estou com saudades”? É impressionante como temos o dom de deturpar as informações e complicar as coisas. Acho que isto está um pouco relacionado ao desejo “nato” de julgarmos tudo à nossa volta. Na maioria das vezes enxergamos os fatos da forma que nos convém. Dependendo dos pré-conceitos que possuímos interpretamos uma mesma mensagem de diversas maneiras. Isso quando não a viramos ao avesso pra ver se encontramos aquilo que desejamos ver ou ouvir. Outra coisa que requer explicação: “Pré-conceitos”, ou “preconceitos”, são conceitos formados antecipadamente e vão muito além da discriminação racial (branco/negro) e social (pobre/rico). Existem vários tipos de preconceito, quase todos são formados sobre bases infundadas, sendo que alguns deles são realmente catastróficos. Se você possui uma boa impressão de alguém, qualquer coisa que essa pessoa ensine ou diga será encarado de forma positiva, enquanto que o inverso também é totalmente verdadeiro. Tudo depende do pré-conceito (bom ou ruim) enraizado na sua mente. Outro fato bastante intrigante, também fruto de nossos pensamentos tendenciosos, é o costume de rotular as pessoas e as coisas. Acredito que o exemplo mais certeiro é o de Judas - da Bíblia. O que tem haver “aquele” traidor com tudo isso? – Você poderia estar se perguntando. O problema é justamente esse. Ao pensar na traição de Judas que entregou Jesus por trinta moedas de prata esquecemos de um outro Judas que divinamente inspirado escreveu o livro de S. Judas. Todo mundo, ou quase todos, ao ouvir o nome Judas, se lembra do traidor, e se esquece daquele irmão de Tiago e meio irmão de Jesus que escreveu para exortar os crentes a batalhar pela fé e não se afastar da verdade por causa das falsas doutrinas. Essa é uma tendência do velho homem que se encontra vivo em nossas mentes. A interpretação tendenciosa e o partidarismo impensado são atitudes extremamente maléficas e trágicas. Desfaça-se de seus preconceitos prejudiciais antes de analisar algo ou “adjetivar” alguém. Foque-se na simplicidade, e enxergue o fato como um todo. May 17 DUALIDADE
A dualidade me sufoca, embaça a visão. É ela que me aprisiona e cauteriza o coração. É essa dualidade que compromete minhas certezas e me induz dizer “sim” quando devo dizer “não”. Ela tenta impressionar e me seduzir com seus golpes baixos. Tenta me confundir de forma a tornar certo todo passo errado. É uma traça que consome toda possibilidade de futuro e não me deixa desligar do passado. Essa dualidade torna grande o peso sobre os meus ombros e me faz refém do meu cansaço. A dualidade tenta me atingir, leva-me a fingir, bloqueia o meu sentir. Essa dualidade me leva a rebelar quando o que mais quero é me redimir. A dualidade tenta me dividir em dois, em partes assimétricas. Enquanto a primeira me torna limpo e me eleva, a outra me embaraça e desespera. A primeira é a certeza das coisas que não se vê e torna simples o meu querer. A segunda questiona o que penso e vai contra minha capacidade de crer. A primeira é reta, justa e sincera. A outra reúne em mim tudo aquilo que não presta. Quando ouço a primeira me sinto vivo, forte, pronto a continuar. E quanto mais próximo da primeira estou, com mais ódio a segunda quer me derrubar. A primeira é fruto do interior. A outra é influenciada pelo exterior. A primeira tem sempre algo a ensinar. A segunda não me deixa ouvir o que a primeira quer falar. Mas um dia essa dualidade vai acabar. Na verdade esse jogo já tem placar. Mesmo que a segunda tente dominar, a primeira irrepreensível e sólida vem com leveza confortar. A dualidade dará lugar a uma eternidade de certeza e santidade, de justiça e verdade. E quando esse dia chegar mais longe de mim pretendo estar. E verei com olhos bem abertos a segunda parte de mim se acabar.
>> Felipe Sarmenghi Rangel May 07 A NOIVA QUE SOMOSPor Felipe Sarmenghi Rangel Aproveitando que o mês de maio é considerado o mês das noivas, encontro-me pensativo a respeito do conceito de noiva de Cristo que a Igreja Cristã possui. De repente o noivado é o ápice emocional da ansiedade e o maior passo para a concretização do sucesso de um relacionamento. Talvez eu não tenha propriedade pra discursar sobre as particularidades, dificuldades, beleza e destreza de um noivado. Mas quem nunca viveu uma paixão? Tenho a propriedade de já ter vivido intensamente um amor, com todos os pormenores e grandiosidade, e isso me possibilita levantar algumas hipóteses. Como unidade que somos, acredito que deveríamos possuir um único sentimento em relação a Cristo, já que somos a Sua noiva. Porém me vejo pensando no tipo de noiva que somos. Algumas vezes penso que somos a noiva interesseira. Aquela que está com o noivo apenas para usufruir seus favores e condições. Até possuímos uma certa cumplicidade, afinidade, mas não um amor daqueles bravios de enfrentar tempestades, anormalidades. Vejo que quando as dificuldades começam o amor de muitos se esfria. Parece que não é tão romântico viver na adversidade... Ou então penso que somos a noiva acomodada. Que por diversos motivos assumiu um compromisso sem entender direito o que é o “noivado” e qual o seu fim. Acomodou-se a estar junto, a freqüentar os mesmos lugares. A encontrar-se regularmente com o noivo e a dizer que o ama, sem saber exatamente se isso é real. Igualmente à noiva interesseira, esta não vive intensamente uma paixão. Caso apareça algum “partido melhor” desiste do relacionamento. Penso também que somos a noiva instável. Que às vezes ama e que às vezes não tem certeza de seus sentimentos. A noiva confusa vive uma intensa guerra emocional. Necessita de opiniões alheias para se convencer de seus sentimentos. Vive dias de imensa paixão e dias de frieza extrema. O “casamento”, pra ela, é algo duvidoso ou incerto. Existem outros tipos de noivas que prefiro nem comentar. Sabe aquelas que pensam que enganam? Que possuem “casinhos extraconjugais”? Prefiro não discorrer a respeito. Passo grande parte do meu tempo tentando entender a mente do noivo e o que ele pensa a respeito da unilateralidade deste relacionamento. Sei que o amor que ele sente é incondicional. Apesar da qualidade sobre-humana que Ele possui, imagino que os sentimentos de confiança, decepção e espera devam existir. Às vezes pergunto quantas chances de recomeço teremos. Quantos perdões ainda serão liberados com fortes abraços? A respeito de tudo isto, carrego uma cena dentro de mim: Acredito que o noivo já conhecia a Sua prometida desde sempre. Ele sabia e sabe de todas as falhas, todos os defeitos e a ama mesmo assim. Esse amor, quase que unilateral, é paciente, longânimo, envolvente e torna esta noiva a mais linda de toda a criação. Mas um dia a noiva cometeu um crime e deveria ser condenada por isso. Ela deveria ser humilhada perante tudo e todos. Sua pena seria a morte. Diante de todas as alternativas, o noivo, apaixonado, reto e íntegro, decidiu continuar a amá-la e a pagar o preço em seu lugar. Sabedor de toda dor e humilhação que passaria, o noivo manteve-se firme na decisão de cumprir a pena no lugar de Sua amada. Apenas com a certeza de que Seu amor o traria de volta, este morreu para garantir a liberdade e a integridade de Sua noiva perante os céus e a terra. Com isso a noiva tem livre acesso aos palácios do Rei, reconhecimento e admiração de muitos. Hoje não carrega qualquer acusação ou fardo, já que o noivo quitou todas as dívidas. A noiva é livre pra viver normalmente e sente uma eterna gratidão ao grande noivo e amigo que a livrou da condenação e da morte. Devido ao sacrifício, o noivo não pode estar fisicamente ao lado da amada, mas mantém vivo o Seu amor e o confirma através de gestos, palavras e sinais. A noiva, por sua vez, carrega a presença de seu noivo na mente e no coração e se lembra todos os dias do sacrifício do grande apaixonado. Frente a tudo isso, a noiva pode alimentar sua paixão e conviver com o doce sabor da saudade, esperando pela volta do noivo, ou desistir e se apaixonar por um desconhecido, que não a ama. No entanto, a noiva sabe que seu noivo é o escolhido. Ela sabe que os dois serão verdadeiramente felizes para sempre. Porém muitos se levantam pra separá-los. O seu amor deve ser provado dia após dia, e esta deve manter-se pura para o encontro com o Seu noivo. Cabe à noiva escolher. O seu futuro está nas suas próprias mãos. Ao pensar assim questiono se a noiva carrega apenas um sentimento de gratidão, ou realmente um amor, mesmo que limitado. Quem já se apaixonou sabe como é o coração de quem ama. Basta ver a infinidade de canções que relatam o amor. A noiva apaixonada perde-se no tempo ao olhar para o seu amado. Aguarda ansiosamente por um olhar ou por uma palavra. Os minutos são eternidade e tudo o que ela mais quer é se encontrar com o seu amado. Toda sua riqueza e sua força estão no seu amor. Este amor é a única certeza que a noiva possui. O amor a conduz acreditar, a lutar, a confiar, a manter-se intocável e irrepreensível. Este amor a conduz a algo sobrenatural e fortalece um sentimento conhecido como fé. Esta é a noiva que ama. Que diz não ao desconhecido. Mesmo que este pareça bastante interessante. Esta é a que decide manter sua aliança, mesmo quando todos dizem não dar certo. Esta é a noiva que ama. Que acredita na volta do seu amado, e o deseja mais que tudo. Que noiva tem sido você? Textos: 2º Coríntios 11.2, Apocalipse 19.7, 21.2, 21.9, 22.17.
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